Friday, April 29, 2011

O novo dono de animais


Ele possuía um vazio na alma que o seguia aonde ia. Com uma ânsia, ele seguia sua vida rotineira. Trabalhava nove horas por dia no escritório, era um excelente funcionário. Pagava suas contas muito bem. Tinha família, alguns poucos amigos. Mas aquele vazio o estava matando.
Foi aí que planejou seu primeiro assassinato. Comprou um passarinho numa loja de animais e o soltou dentro do apartamento para ele se adaptar. Por um mês botou ração todos os dias, água e limpou seus excrementos. Em seguida comprou um gato, o qual deu o nome de killer, mas tomou cuidado para colocá-los em ambientes diferentes. Por último veio o cachorro, com quem brincava agressivamente com restos de carne no fundo da lavanderia.
Quatro meses se passaram com cada animal isolado em seu quarto até que, numa sexta feira, depois de chegar em casa... Sua tia o foi visitar. Levou rosquinhas caseiras de aveia, falou que estava muito magro e pálido. Brincou com cada um dos animais. Acabado os biscoitos, deu um beijo em sua testa e antes de ir embora ajeitou seu cabelo perguntando sobre as ‘’meninas’’, se tinha alguma em vista e por fim foi embora.
Quando se despediu, a euforia tomou conta e foi correndo soltar os bichos. Nesse momento tocou a campainha. Uma vizinha, que mexendo muito o cabelo e rindo nervosamente, disse que estava fazendo uma festinha no apartamento do lado e perguntou se ele queria aparecer mais tarde. Se livrou rapidamente da vizinha e voltou à cena do crime.
Primeiro soltou o passarinho, que voou desesperadamente pela sala. Depois abriu o quarto do gato que tentou de toda forma pegar o passarinho. Mas o circo pegou fogo quando do fundo da área de serviço foi solto da coleira o cachorro, que foi correndo como um louco para atacar o gato e o passarinho.
Após algumas horas, os três animais brincavam pela sala como uma verdadeira família. O cachorro com o gato, o gato com o cachorro e o passarinho passeava no meio dos dois como um velho irmão ali pela sala. Pasmo pensou que alguma coisa estava errada. Como crianças já cansadas, dormiram os três, um encostado no outro ali mesmo na sala depois daquela farra na casa dele, o dono de cada um dos animais de estimação que ali estavam depois daquele encontro tão bem sucedido por seu dono.
Algo de estranho tinha naqueles animais pensou o homem. Talvez fosse um erro deixá-los tanto tempo juntos no mesmo apartamento... O homem não parava de pensar. Depois de sua festa diabólica frustrada, foi para cama. Ainda atordoado, teve um sonho estranho, com a vizinha que o convidou naquela noite para uma festa... Seus cabelos, seu sorriso, aquilo mexeu com sua imaginação. Embalado pelo sonho só se viu uma ponta de sorriso no quarto escuro. Matar a vizinha talvez fosse uma boa idéia.

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Saturday, February 10, 2007

Guabiroba

Guabiroba, tão gostosa goiabinha,
Que presa no pé,
Me dá vontade de come-la.
Macia, gostosa, deliciosa.

Mas tão longe está.
Com pedrinhas procuro derruba-la
E depois de duas horas
Consigo pega-la

Abro a boca contente
Até eu enxergar
O bichinho da Guabiroba
Que já estava empanturrado.

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Wednesday, February 07, 2007

Fruta do mato


Saber crescer é renascer sem esquecer. É sentir os teus labios calados, os teus braços inquietos. Sua ânsia me trazendo calor. O sabor e a cor da fruta do mato, fruta do pé.
E como criança grande ao teu lado alvoreço calado.

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Sunday, January 28, 2007

Caranguejo

A poeira inevitável dos corpos. A escuridão embaixo dos móveis. A espera é desesperante e a lua e o sol iluminam tudo.
Vidas delirantes à procura do nada. Cortes despercebidos durante as noites. Sonhos insolucionáveis e deselegantes.
Cada momento fecundado um abismo. Cada olho cansado um sono. O cheiro podre pasmado como cama onde se dorme.
Destino fraco se move. Espectro vivo, memória. O cego no espelho caminha. Açúcar no sangue, e no mangue o caranguejo anda.

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Saturday, January 27, 2007

Mente distorcida


Textos apagados, esquecidos, rejeitados. Deletados, não-lidos, não enviados. São frases que perdem o sentido, pensamentos que morrem, idéias que se apagam.
O corpo não se sustenta; cambaleia, tropeça, não vê. E no primeiro segundo desiste da idéia.
Se define pelo não; inventa para si uma constatação. São mentiras se amontoando aonde ele possa sentar e ver o formigueiro.
Tudo porque não se permite mistério. Passa régua por cima de qualquer abertura. Tem medo de ser traído, enganado, treme.
O barulho dos carros acalmam, está vivo pelo menos. O fantasma que assombra vai perdendo sentido. Mas ao mesmo tempo as retas riscadas vão cristalizando.
Uma noite de sono é o suficiente para acordar sorridente e sem aquelas idéias antigas.

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